Folha de Macaíba - 25 anos. Fundação: 30.01.1996

Uma receita para ser feliz

( Texto especial para o dia do aniversário da Folha de Macaíba – 25 anos)

Por – Professor José Luiz da Silva – em Portugal.

Dizem que não existe receita para a felicidade. Eu descobri que há sim.

Existe um segredo para a felicidade. É possível ser feliz apenas existindo.

São necessárias apenas duas coisas: a primeira é tomar a decisão de ser feliz e a segunda é compreender a diferença entre felicidade e alegria.

E eu explico. Primeiro a decisão. Quer ser feliz? Tome a decisão de ser feliz! Você existe feliz ou infeliz. Então exista feliz. Encare tudo que existe (as coisas) e tudo que acontece (os fatos) como elementos de uma vida feliz. Não classifique os acontecimentos em “deu certo” e “deu errado”. Não! Tudo deu certo. Quando não acontece da forma como você planejou não significa que deu errado. Aquela nova forma é um jeito diferente de dar certo. O suposto acidente que estragou tudo foi na verdade o resultado de ações suas ou de outrem. E agora outras e ações e caminhos são necessários. E nada estragou, apenas modificou. Você pode aprender com isso e evitar repetir os mesmos procedimentos. Inclusive pode deixar de depender muito de outrem para alcançar o que quer. Nada deu errado. A correção de rumos é às vezes uma pausa para repensar se aquilo ainda vale a pena. Eu nunca realizei os meus sonhos da infância. Ainda bem. Hoje percebo o quanto eram esquisitos. Os sonhos mudam. Tudo muda. A não realização de um sonho pode ser algo positivo quando analisamos profundamente e percebemos que não tinha muito a ver com a gente. Então seja feliz com o caminhar e entenda o que tem que ser feito nas situações reais.

Não confunda felicidade com alegria.

A segunda coisa a aprender pra ser feliz é não confundir felicidade com alegria.

Felicidade é interior. É sua decisão pessoal, íntima, independente do que aconteça.

Alegria é exterior, depende dos acontecimentos. Há momentos em que estamos alegres e algo de repente nos deixa tristes. Tristes, não infelizes.

Não existem pessoas alegres!

Às vezes ouço pessoas a falar: “aquela é uma mulher alegre”. Penso logo – é doida! Sim, maluca. Ninguém é alegre. As pessoas estão alegres em certas ocasiões e logo a alegria passa.

O filho morreu atropelado. E a tal mulher alegre, continua alegre? É alegre se for doida.

Mas a tragédia deixa a mulher triste ou infeliz? Depende. Há pessoas que ficam tristes, na ocasião da tragédia e por um longo período de tempo, e outras que se tornam infelizes, não tomam a decisão de voltar a ser felizes. É como se ela tivesse sido atropelada junto com o filho. Mas continua sendo uma decisão pessoal dela voltar a ser feliz. Mesmo que as lembranças produzam momentos de profunda tristeza.

Neste mundo cheio de guerra, violência, preconceito, desigualdade social, doenças, fome e tantas outras tragédias é possível ser feliz. Não alegres.

Se estivermos contribuindo com o máximo de nossas forças para diminuir o sofrimento no nosso planeta, podemos sim ser felizes com a nossa ação. Mas não alegres, pois lamentamos as frequentes desgraças.

Podemos ter momentos de grande alegria a cada passo que damos para melhorar o mundo. E tristeza quando algo não funcionou. Mas podemos ser felizes porque julgamos estar do lado certo da história. Há pessoas que sentem alegria em destruir coisas, pessoas e até o planeta. Mas não são felizes, nem saudáveis, e talvez caibam em outro texto.

Há, portanto uma grande diferença entre ser feliz e estar alegre. Ser feliz é mais fácil. Não precisa de quase nada. Mas estar alegre é mais complicado, porque depende de fatos que geralmente envolvem outras pessoas e até os fenômenos da natureza. Por isso a alegria aparece e desaparece tão rapidamente.

Se você não aceitar que para ser feliz não é necessário ter muita coisa você está condenando à infelicidade quase toda a população da África. Onde nem água há para todos. Mesmo assim muitos são felizes. E mostram a sua felicidade através de manifestações artísticas maravilhosas. Mas são alegres? Óbvio que não! A alegria resulta de fatores externos a nós. Decorre daquilo que recebemos. De como somos tratados. A população nativa da África não tem motivos para se alegrar. Ações externas levaram e ainda levam tristeza àquele povo. Mesmo assim um espírito alegre os move internamente e seus sorrisos mostram que em muitos ainda há felicidade. Há quem diga que aqueles sorrisos não mostram felicidade e sim falta de inteligência. E explicam: como pode um menino africano ser feliz sem nada? Eu peço que reflita. Quem tem mais motivos pra sorrir? Um menino que passa o dia a brincar com muitos amigos nas savanas africanas, ao Sol, e caça um animal, espeta num galho de árvore, assa e come com os amigos? Ou para você, feliz é o menino que passa o dia num quarto de uma mansão em Londres, sozinho a brincar com um smartphone? E que come com os empregados porque o pai, magnata, está sempre a viajar? Para enriquecer a sua reflexão, responda à pergunta: qual desses padrões de vida tem provocado suicídios?

Creio que compreender a felicidade do povo africano deveria se a principal tarefa de quem quer cultivar a sua própria felicidade. Felicidade até na adversidade e, principalmente, na simplicidade. Saber lidar com a natureza de forma equilibrada produz uma felicidade que somente alguns povos nativos da África, da Austrália e da América (nossos índios) poderiam nos ensinar.

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