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Não use cotonete!

Muitas pessoas perguntam se o uso do cotonete, objeto de higiene pessoal utilizado principalmente para limpar os ouvidos da acumulação de cera, é recomendado pelos otorrinolaringologistas. A resposta é não.

Por que não usar? Porque o cerume – secreção proveniente das glândulas sebáceas que se encontram situadas no canal auditivo externo – que produzimos é benéfico, pois tem substâncias que combatem bactérias, fungos e vírus.

É importante lembrar que limpar demasiadamente o ouvido deixa a pele do canal auditivo externo absolutamente sem proteção. Portanto, qualquer contato com água que não esteja bem tratada, seja numa piscina ou o banho em casa, pode levar uma infecção aos ouvidos.

A limpeza diária com cotonete, como muitas pessoas fazem, além de tirar toda a proteção dos ouvidos, provoca um eczema, inflamação cutânea que produz um tipo de alergia caracterizada, inicialmente, por coceira e, depois, por uma aguinha que, ao sair, pode provocar uma infecção, exatamente pela falta de proteção.

Em síntese, não limpe os ouvidos com cotonete e, para fazê-lo, pegue a sua toalha e passe nas dobrinhas atrás das orelhas até onde o seu dedo alcançar.

Por José Eduardo Lutaif Dolci – Professor Titular de Otorrinolaringologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. 

O fogo que consome o Brasil

Por Paulo Stucci – psicanalista e jornalista.

Para muita gente, a noite de domingo é incômoda por si, pois antecipa uma nova segunda-feira, e, com ela, uma nova semana de trabalho, marcando assim o fim do descanso do final de semana – que, para muitos, grupo no qual me incluo, há muito tempo não é de tanto descanso assim.

Porém, nem mesmo minha cama, cujo colchão me costuma a servir de refúgio para os dias mais sombrios, abraçou-me com seu costumeiro conforto. Instalado nela, acompanhava, pelo celular (este onipresente aparelhinho que, em troca de nossa escravidão, nos conecta com o mundo) os desdobramentos do incêndio calamitoso que praticamente acabou com o acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, um dos maiores em mais importantes museus de história nacional e ciências das Américas. Foi uma noite de sobressaltos e pesadelos.

Ao olhar para as imagens das chamas lambendo o que restara da bicentenária construção, não pode deixar de constatar, com tristeza, que aquele fogo tinha algo muito mais simbólico em seu poder destrutivo. Mais do que o acervo e as paredes do Museu Nacional ardiam e desfaleciam em fuligem; o que queimava, e ainda queima, é o próprio Brasil.

O exercício de abstração me foi inevitável diante da tragédia. O museu que é consumido pelas chamas é o símbolo máximo do país que assiste ao esfacelamento de suas instituições. A saúde precária, direito de todos, mas de acesso de ninguém; a educação, que, há muito, em todos os níveis (do básico ao superior) dança no ritmo do “finge que ensina, eu finjo que aprendo”, no mais tradicional molejo do jeitinho brasileiro de dourar a pílula em vez de resultar de modo sumário os problemas; a segurança, que passou a ser um direito de quem está do lado de lá da linha (ou seja, daqueles que infringem as leis), seja um traficante, protegido pelo seu código de conduta e fuzis, seja de um político, ministro ou membro da Corte Suprema, protegidos pelos privilégios e pelo pedestal inacessível em que se instalaram, ao qual nada chega – nem mesmo os tentáculos da lei (sim, aqui, lei não tem braço, mas, sim, tentáculos).

Ano após ano, década após década, revalidamos o nosso elitismo cultural, diante do qual a produção do que é considerado cultura erudita (ou seja, pedaços da cultural nacional popular apropriados pelos artistas de classes mais abastadas) afasta a maioria da população do sabor de usufruir de sua própria cultura – vista como algo limitado ao usufruto dos senhores, tal qual no período colonial. O resultado? Um povo que não se apropria do que é seu, que não luta pela sua cultura, e, por conseguinte, pela educação e civismo. A cultura, no Brasil, é saboreada em guetos, enquanto que, à maioria, restam o “popular”, o “de mau gosto”, “o funesto”.

Voltando à minha abstração. Triste constatar que o Brasil tornou-se um país em que nada dá certo. É inevitável pensar nisso. Uma nação para a qual é impossível ligar A com B, sem que muito se perca em propina e resulte num projeto final meia-boca, para “inglês ver”. Não é de se estranhar que, aqui, em terras brazilis, não se consiga preservar o patrimônio cultural, hora ou outra, vítima de uma tragédia de proporções dantescas (antes do Museu Nacional, tivemos o Museu da Língua Portuguesa e a Estação da Luz, em São Paulo). Mal conseguimos cuidar de entregar ao povo o acesso a necessidades básicas; quanto mais, investir na manutenção de museus e centros culturais – como se o acesso a cultura também não fosse parte da construção de um cidadão pleno em seus direitos.

Ao mesmo tempo em que se secam as lágrimas pelo incêndio do Museu Nacional, precipitam-se as acusações. “A responsabilidade é minha, ponho em quem quiser”. Não é assim que se diz; muitos são os culpados, e, também, muitos serão os acusados. Governo Federal, Governo do Estado do Rio, a Universidade e até mesmo o povo, que, como sabemos, não é lá muito chegado a usufruir de espaços, que, por aqui, chamamos de museus (Velharia, oras!).

A morte do Museu Nacional não é a morte de um prédio antigo e de seu acervo. É mais uma execução bem pensada e planejada de uma teia administrativa composta por bandidos, que governa para seus iguais e que tem como finalidade dilapidar os alicerces essenciais para a construção de uma nação: educação/cultura, segurança, saúde, emprego, temas tão lembrados em época de eleição por nossos demagogos de plantão.

O Brasil segue ladeira abaixo. O último a sair, apague a luz. Ou, melhor, que varra as cinzas.

Acidade Vascular Celebral (AVC): diagnóstico e tratamento

Por Rubens José Gagliardi

O AVC – Acidente Vascular Cerebral é uma doença de manifestação aguda ou rapidamente evolutiva. Se alguém estiver na frente de um amigo ou parente na rua, por exemplo, é bom saber os sintomas principais.

Em questão de minutos, o quadro piora com a manifestação de perda de alguma função, como a fala. O indivíduo não consegue mais falar, tem alguma dificuldade de expressão, compreensão, déficit motor ou perde a força de um lado do corpo.

Pode ocorrer ainda déficit sensitivo, visual, com perda da visão total ou parcial de um dos olhos ou de ambos, dor de cabeça ou tontura muito forte. São vários sintomas que podem vir agrupados, isolados ou associados numa manifestação sempre aguda ou rápida, sempre evolutiva.

Quem presencia esses sintomas deve pensar que se trata de AVC e procurar, o antes possível, atendimento médico especializado, porque o tratamento deve ser rápido e há pouco tempo para fazer o tratamento correto.

O AVC tem tratamentos específicos que trazem bons resultados. Eles são tempo-dependentes e devem ser realizados nas quatro primeiras horas após o AVC. Como é feito? Primeiro, com cuidados gerais. Temos que equilibrar todas as funções do indivíduo, como pressão arterial, taxa de glicose e hidratação.

É preciso ainda utilizar uma droga que desfaça o coágulo e permita a circulação sanguínea. Isso pode ser feito por via endovenosa. Mais recentemente, vem sendo introduzida uma nova técnica, que consiste em retirar o coágulo por meio de um cateter local que o localiza, prende e retira. Para isso, há um tempo de seis a 18 horas aproximadamente,  dependendo da situação, que sempre é emergencial. Por isso, o doente deve procurar rapidamente um tratamento especializado.

Rubens José Gagliardi é professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

COMO ORIENTAR AS CRIANÇAS EM TEMPOS DE “FAKE NEWS”?

A notícias falsas não são novidade no ambiente online. Desde a popularização da rede mundial de computadores eram muito comuns e-mails com informações de apuração duvidosa e tons alarmistas e tendenciosos. Atualmente, apesar de cada vez mais pessoas estarem familiarizadas com as “pegadinhas” da rede como clickbaits e imagens modificadas, as informações falsas ainda resistem.

Nos últimos meses, as “fake news“, notícias fabricadas, se tornaram assunto de interesse público. Informações levianamente apuradas caíram nas timelines de milhões de usuários e se metamorfosearam em pseudoverdades. Segundo Fabiany Lima, CEO e fundadora da ferramenta psicossocial Timokids, os pais devem tomar os devidos cuidados em relação as notícias online e buscar orientar sempre seus filhos sobre o que consumir na internet. De acordo com relatório da UNICEF de 2017, um a cada três usuários da rede é menor de 18 anos.

Assíduas na internet, muitas vezes elas não possuem filtros para separar o que pode ou não vir a ser uma informação verdadeira. Manchetes chamativas e palavras “isca” podem atrair a atenção dos pequenos, que muitas vezes não têm domínio do assunto tratado. Seguem algumas dicas de Fabiany para os pais que querem orientar melhor os seus filhos acerca dos perigos das “fake news“:

Incentivar a leitura: os pais devem incentivar a leitura independentemente do cenário em questão. Quanto mais a criança estiver habituada com as palavras, melhor ela poderá identificar o uso de termos pejorativos e outras práticas tendenciosas;

Preparar melhor para a realidade: uma criança que conhece uma situação, está preparada para enfrentá-la. O mundo não é apenas alegria e diversão então, enquanto há tempo, temos que fazer com que as crianças tenham conhecimento prévio de responsabilidade social, ambiental, segurança coletiva e de si mesmas. Quanto mais preparadas, melhor;

Falar sobre o mundo em que vivemos: a sociedade é complexa e não devemos esperar que nossos filhos entendam questões geopolíticas, sociais e filosóficas enquanto pequenos. No entanto, os pais podem estimular a curiosidade acerca de temas mais leves que envolvam estas disciplinas como mapas, línguas, culturas estrangeiras e atualidades. Dessa forma, a criança já começa a desenvolver suas habilidades de compreensão do universo fora do cerco familiar;

Acompanhar o que seu filho assiste/lê: uma vez sozinhas no ambiente online, as crianças exploram qualquer território que lhes chame a atenção. A ordem é sempre orientar para os perigos das redes sociais, mas conversar com os filhos sobre o que eles estão assistindo, quem eles seguem nas redes, quais canais são seus preferidos também é essencial.

*Fabiany Lima é empreendedora, mãe de gêmeas, fundadora e CEO do Timokids, ferramenta multilíngue psicossocial utilizada em 197 países

Brasil precisa reter seus talentos e evitar boçalidade no futebol

“A vaca tá indo pro brejo e alguém tem que mudar a direção do animal.”

Por Tadeu Oliveira

Na atual Copa da Rússia fica claro que não há mais espaço para quem insiste na formação de seleção em função de um só jogador. Brasil (Neymar), Argentina (Messi) e Portugal com Cristiano Ronaldo são visíveis exemplos do que estou falando. Vai levar à taça para casa quem pratica o princípio, o óbvio, que é o futebol associado, sem boçalidade, sem individualismo com ou sem talento. O alerta segue até para os clubes brasileiros.

No futebol moderno a função do comando técnico é fundamental para decisão de resultados. Parte dele o comportamento de cada atleta em campo de jogo, afinal, futebol é pratica coletiva, única modalidade esportiva que o mais fraco consegue vencer o mais forte.

Durante os jogo da Copa, o treinador Tite demostrou ser uma figura paternal, insistindo em manter alguns jogadores em campo na esperança de um dia melhorar até condições físicas, coisa de time de várzea. É um erro para quem quer ganhar uma copa, acabou-se o tempo de treinador “paisão”, meu caro Tite. Como você sabe, o Brasil exporta os mais qualificados jogadores do mundo.

Agora, para o Brasil chegar mais perto da conquista de mais uma Copa do Mundo será preciso deixar de shopping center de craques, território de exportação de jogadores para clubes do exterior, principalmente os da Europa que fazem transações milionárias, alguns com risco de receita. O Brasil precisa fazer retenção de talentos, enriquecendo seus clubes em todas as regiões.

O próprio Tite reconhece que no Brasil ficaram de fora da seleção alguns jogadores melhores dos que foram à Rússia.

Por fim, o exemplo de quem planeja melhora será o confronto de Bélgica e França, na terça-feira, jogo decisivo, quem vencer poderá conquistar a Copa no domingo. Digo, pode, pq futebol também guarda surpresa. O Brasil nem surpresa deixou para uma nação que ainda espera uma chuteira de esperança em dias melhores.

(foto El País)

 

Por Celso Luiz Tracco 

A parada dos caminhoneiros escancarou a fragilidade do sistema político brasileiro e a total falta de senso e de ações coordenadas das autoridades federais, estaduais e municipais em meio à crise que se instalou com a falta de combustíveis.

Já é mais do que sabido que um dos mais graves problemas do Brasil é o inchaço da máquina pública. Políticos eleitos, assessores, altos funcionários do executivo, legislativo e judiciário, funcionários de empresas estatais, federais, estaduais ou municipais, juízes, promotores, procuradores, têm, além de seus altíssimos salários, privilégios sem fim. A lista é enorme: auxílio para moradia, paletó, viagens, combustíveis, escolas para filhos, planos de saúde, pensões nababescas, aposentadorias integrais etc, etc, etc.

Além disso temos a corrupção endêmica, que também ocorre em todos os níveis de governo, e sabemos como é difícil no Brasil que a justiça, para os poderosos, seja feita. Com todo esse caldo em ebulição, a Petrobras adota um sistema de preços, que pode até ser correto para que a empresa gere lucro, mas que é absolutamente danoso para a economia do país. O transporte rodoviário responde por 65% do total de cargas no Brasil, já o transporte de passageiros é majoritariamente rodoviário ou aéreo. Mas é o caminhão que abastece os postos de combustíveis e os aeroportos. Ou seja, a greve de uma semana dos caminhoneiros levou o país ao caos.

Caos que só se agrava com a intervenção dos agentes governamentais, pois eles não atacam de frente o problema: a solução seria a redução da carga tributária com a respectiva redução de despesas e de privilégios da máquina pública. A desculpa é sempre a mesma: as despesas são protegidas por lei e o orçamento não tem folga, portanto a redução de preço para o diesel deve ser compensada com mais impostos. Deve-se perguntar se é legal, juridicamente, pessoas viverem na miséria, com falta de assistência médica, de segurança, de moradia e com uma aposentadoria insuficiente para suas necessidades básicas, enquanto outras vivem uma vida nababesca.

O cidadão brasileiro está cansado de carregar um “elefante” em suas costas, esta paquidérmica máquina pública. O governo mostra a cada instante seu despreparo, sua insensatez, seu descaso com os cidadãos de bem, seus eleitores. Os governantes de Brasília vivem em outro mundo, muito longe do Brasil real. Nós precisamos levar o Brasil real para dentro do Congresso e dos Palácios do governo, assim como os franceses fizeram há 230 anos. Talvez assim nossos governantes criem juízo.

Celso Luiz Tracco é economista e autor do livro Às Margens do Ipiranga – a esperança em sobreviver numa sociedade desigual.

Mais impostos, para quê?

Um dos principais problemas estruturais do Brasil é o gigantismo da máquina pública, mantido pela arrecadação tributária. Porque é tão difícil reduzir despesas?

Responder essa pergunta, é uma dificuldade, uma vez que não há controle. Além disso os nossos parlamentares, deputados federais e senadores eleitos pelo povo, e constitucionalmente legisladores, são os que aprovam o orçamento da União. Nunca se vê redução de gastos. Deputado julgado, condenado e preso, continua recebendo seu gordo salário mesmo estando afastado de suas obrigações. O número de assessores parlamentares ou cargos de confiança ninguém sabe quantos são e pior, ninguém sabe o que fazem nem para que servem.

O custo do parlamento brasileiro é estimado em R$ 6.5 bilhões por ano, 4 vezes mais caro que o da França e quase 8 vezes mais caro que o da Argentina, para efeitos de comparação. Há mordomias sem fim: auxílio paletó, auxilio para correio (em plena era da internet) auxílio para gasolina, garçons, engraxates, segurança, viagens em aviões da FAB, plano de saúde sem limites, a lista é extensa. Mas isso é apenas a ponta do iceberg.

Devemos somar a essa fábula o custo do legislativo e do executivo de 26 estados e DF, de 5570 municípios, do judiciário, das autarquias e empresas estatais. Existem 146 empresas estatais federais ativas, cujos diretores e gerentes são indicados pelos seus padrinhos políticos. Quantas mais existem nos estados e municípios? O desperdício com o dinheiro público é infindável e crescente.

O Brasil, entre trinta países pesquisados, é o que, todos os anos, mostra o pior resultado em relação aos benefícios para a população por imposto arrecadado. Não é apenas uma questão financeira, mas sobretudo humanitária. O dinheiro não vai para quem precisa, principalmente para os mais de 50 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza.

Mas prepare-se: o rombo das contas públicas federais está estimado em torno de R$ 150 bi. Nossos representantes certamente irão sugerir mais aumento de impostos, apesar de aprovarem isenções e anistias aos poderosos entes econômicos: grandes empresários, países “amigos” devedores, sistema financeiro e outros. São “bondosos” com os poderosos mas severos com trabalha e vive de salário: a tabela de isenção do Imposto de Renda, está há anos defasada, deveria ser ajustada em, no mínimo, 90%.

Nós, população, podemos mudar isso com o voto. Vamos limpar o Congresso de uma só vez, não reelegendo quem está lá. Será que teremos maturidade e coragem na hora do voto?

Celso Luiz Tracco  – Economista e autor do livro Às Margens do Ipiranga – a esperança em sobreviver numa sociedade desigual.