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Plano Nacional da Educação é política prioritária de Estado

Educação não tem sido tema prioritário nos debates levados a efeito nesta corrida presidencial. E se analisados os respectivos programas de campanha, muito menos o referido tema ocupa espaço de prioridade, não obstante os nossos índices, tanto da educação básica quanto da educação superior, serem raquíticos e ameaçados a um estado ainda mais desfavorável.

Considerando que as eleições deste ano são decisivas para a reversão da crise política e econômica nacional, e sua repercussão no processo de desenvolvimento dos sistemas educacionais vigentes no país, o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), em conjunto com as associações dos distintos segmentos do Ensino Superior, encaminhou carta aos candidatos à Presidência da República. O documento contém propostas para o cumprimento efetivo, no novo governo, das metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE), instituído pela Lei 13.005/2014. A premissa basilar é a sua efetiva execução como política prioritária de Estado.

Nesse sentido, a primeira recomendação é a melhoria da escolaridade de crianças e adolescentes, a partir do aperfeiçoamento do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), levando-se em conta que a capacitação e valorização trabalho docente é essencial para o sucesso dessa meta. Com o mesmo propósito, são sugeridas linhas especiais do FIES para as licenciaturas e a criação de uma linha específica do Prouni para esta finalidade. Também são importantes a criação de programas de apoio voltados à inovação didático-pedagógica, como forma de melhoria dos processos de ensino e aprendizagem, sobretudo aplicados à educação básica.

Quanto ao Ensino Superior, é levantada a grande preocupação quanto à evasão observada tanto, nas IES públicas quanto privadas. O Censo da Educação superior, publicado recentemente, mostra uma redução no valor absoluto do número de matrículas, resultado já esperado em razão da contínua queda da taxa de crescimento de matrículas ao longo dos últimos 4 anos.

O fortalecimento do Sistema Nacional de Pós-graduação, com a recuperação orçamentária de organismos como o CAPES e a CNPq, é uma questão fundamental pelo papel estratégico das referidas agências de fomento para o desenvolvimento científico e tecnológico do país por meio do apoio à manutenção e ampliação de programas de mestrado e doutorado, tanto acadêmicos quanto profissionais. Para o aumento do número de matrículas no Stricto Sensu e permanência do aluno, é sugerida a expansão do FIES para tal modalidade. É fundamental, ainda, a manutenção dos atuais programas de apoio a P&D, no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações e de seus órgãos de fomento.

Obviamente, tais avanços implicam maior aporte de recursos, cuja insuficiência está atrelada ao não cumprimento de uma das metas cruciais do PNE, que é a destinação do equivalente a 10% do PIB ao ensino. Estamos distantes disso, inclusive devido aos sucessivos cortes orçamentários, agravados pela PEC 95, que instituiu o teto de gastos para o setor público. Assim, a escassez de investimentos em formação e pesquisa, alicerces do processo educativo, desestimula o universo da educação, a começar pela redução do número de alunos, em função da anunciada possibilidade de redução do número de bolsas. Por isso, espera-se que o próximo governo reveja o limite orçamentário do setor, buscando cortar despesas em áreas menos prioritárias, em especial no custeio de atividades supérfluas no contexto de uma agenda séria de desenvolvimento. Fontes alternativas de receitas seriam fundos patrimoniais, permitindo-se a doação de recursos às universidades públicas e privadas, por meio de incentivos fiscais, a exemplo do que ocorre com sucesso nos países desenvolvidos.

Outra providência premente a ser adotada pelo próximo governo diz respeito ao restabelecimento pleno da autonomia universitária, preceito consagrado na Constituição de 88, promulgada em 5 de outubro de 1988, que completa 30 anos exatamente no mês das eleições. Tal medida também é essencial para a viabilidade do PNE. Infelizmente, esse princípio tem sido subvertido nessas três décadas, conforme evidenciam incontestáveis exemplos: Emenda Constitucional 95/2016, que institui o novo regime fiscal e limitou os gastos com a Educação; incontáveis decretos, portarias, normas técnicas que regulamentam de forma excessiva os processos educacionais, cerceando a “livre” iniciativa, bem como a Portaria 328/2018, que dispõe sobre a suspensão do protocolo de pedidos de aumento de vagas e de novos editais de chamamento público para autorização de cursos de graduação em medicina, uma interferência sem precedentes.

Também violam a autonomia, os instrumentos de avaliação dos cursos e instituições de Ensino Superior divulgados em 2017, sem a devida participação dos segmentos organizados da educação superior do país. O mesmo se aplica às constantes alterações normativas, que, via de regra, criam obrigações não previstas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação e até mesmo restringem a realização de vestibulares por universidades e centros universitários.

Gestão competente da política econômica, reequilíbrio fiscal, realização das reformas tributária e previdenciária e melhoria do ambiente de negócios são essenciais para o Brasil vencer a presente crise e retomar o crescimento. Porém, a elevação de nossa economia para uma maior distribuição de renda e a melhoria dos indicadores sociais, incluindo a redução da criminalidade, somente serão conquistados se tivermos qualidade no ensino em todos os seus níveis, da infância à universidade e educação continuada. Só a educação conduz ao desenvolvimento!

Por Benedito Guimarães Aguiar Neto – Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB) e Reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

SER PROFESSOR

Uma das ações que seguramente está ligada ao ser humano desde sua origem é a aprendizagem. O homem aprende de várias formas, por isso, tratar deste assunto é algo muito complexo e, não por acaso, motivo de cuidado desde as culturas mais remotas.

Nesse contexto, considerando-se que a quantidade de conhecimento adquirido pela humanidade ao longo de sua história só aumentou, o ato de aprender passou a ser cada vez mais preocupante.

Nesse universo surgiu a figura do professor, o sujeito que se preocupava em saber cada vez mais, se possível, de tudo, para então poder compartilhar seu conhecimento de forma dirigida com personagens da sociedade. Assim, a partir da aceitação de que todos tinham de aprender, e que passou a existir alguém que pudesse facilitar esta aprendizagem, surgiu o ato de ensinar.

Daí o binômio ensino-aprendizagem passou a ser uma das mais emblemáticas expressões na Educação da Humanidade: só existe ensino, se existir aprendizagem; se alguém, que imagina ter ensinado, não obtiver comprovação de que seu discípulo (ou aluno) não aprendeu, simplesmente concluirá que não houve ensino. O ensino de um professor só se efetiva com a respectiva aprendizagem daquele com o qual compartilhou-se o conhecimento, o saber.

Portanto, se o significado da palavra se restringir apenas à sua origem etimológica, ou seja, o ato de professar (professar conhecimento), o resultado obtido poderá estar comprometido. O professor, além de professar, deve também ensinar:

– Reiterando-se a explicação anterior, “não terá ocorrido ensino, se não ocorrer a aprendizagem”.

Por isso e, sobretudo, pela responsabilidade que assumiu perante a sociedade, o professor no decorrer da história distinguiu-se por sua indiscutível importância, passando a ser indispensável em qualquer cultura. Ser professor passou a ser uma ação sublime, nobre, de grande destaque.

Passados séculos desta evolução, chegou-se aos dias de hoje e algumas pessoas questionam o respeito e a valorização do professor nas mais diferentes nações. Em algumas, parece haver mais respeito e maior valor, em outras, porém, não existe necessariamente todo este reconhecimento. No entanto, não existem registros de que o professor possa ser dispensável.

Este indicador tem grande significado, pois, se o professor continua a ser indispensável, é porque, naturalmente, já existe aí um reconhecimento, um grande valor.

Não se pode confundir respeito com reconhecimento e valorização. Embora em alguns casos tais conceitos possam se confundir, faz-se necessário a distinção. O Respeito é um princípio ético, é cultural, enquanto valorização e reconhecimento dependem da necessidade que se tem do sujeito. Mesmo quando ocorre o desrespeito ao professor, ninguém é capaz de dizer que o mesmo não seja reconhecido e valorizado, em face de sua importância.

Ser professor ainda continua a ser um ato nobre, a carreira de professor continua a ser marcante na sociedade. Poucos se lembram de seu pediatra ou de seu dentista da infância, mas, certamente, todos se lembram de seus professores, um a um, nome a nome, disciplina por disciplina. Considerando-se apenas isto, já se pode falar em reconhecimento e valorização.

Todavia, a docência não é apenas esse “romantismo”, é também um desafio, pois, em meio a este protagonismo social de que goza o professor, existe a responsabilidade, a incompreensão, os parcos recursos sociais e materiais e também baixos salários.

Por isso, ser professor, não se restringe apenas às condições de trabalho ou de salário. Ser professor é ser protagonista na sociedade, é ser responsável, é ser crítico, inconformado, mas, também, feliz, realizado, conhecedor de sua indiscutível importância, de ser alguém indispensável, reconhecido e valorizado.Em resumo: é muito bom ser professor!

Ítalo Francisco Curcio é pedagogo, doutor e pós-doutor em Educação, e coordenador do curso de Pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Professor: Agente de Transformação Humana

Em um momento no qual se fala tanto de transformação digital, no qual a tecnologia imprime um ritmo de mudanças de comportamentos nunca visto antes, será que não estamos deixando em segundo plano a transformação que de fato vai ditar os novos rumos do mundo? Parece óbvio, mas não é. Além de não ser nada fácil. Estou falando de transformação humana. Estou falando das pessoas que continuam tendo emoções e estímulos com os novos movimentos. É muita novidade em tão pouco tempo. Nos últimos anos a tecnologia de uma forma ou de outra foi inserida no dia a dia da grande parte da população, o que reflete em novas condutas e um jeito novo para se fazer muitas coisas. Hoje cinco gerações de pessoas com perfis completamente diferentes, e logo com visões de mundo também muito diferentes, compartilham o mesmo espaço. E daí vem os conflitos geracionais e falta de empatia entre as pessoas.

Eu falo de um mundo conectado pela tecnologia, mas de total desconexão entre as pessoas. Enquanto a evolução tecnológica aponta em uma curva exponencial ascendente, a evolução humana (ou o seu antônimo) representada pelos nossos comportamentos parece formar uma linha contrária. E fico pensando, como mudar isso? Ainda mais no momento importante e delicado de eleições que passamos no Brasil, no qual temos que tomar uma decisão sobre o futuro do nosso país, sobre o nosso futuro. E vejo que os próximos governantes irão assumir papéis muito importantes nesse processo de mudanças, mas o trabalho deles não será suficiente, eles não são em número suficiente. E aí acredito ter a resposta, talvez não a única resposta, mas uma importante e impactante resposta. Podemos mudar isso através da educação. E com certeza agora vem a sua mente que esse é mais um discurso batido. E eu tento me explicar. E se falo tanto de humanização, não tem como não personificar a educação através da figura do professor. Segundo Censo Escolar de 2017, somente no ensino básico temos mais de 2,2 milhões de professores no Brasil. É muita gente do bem. E se formos considerar um efeito em cadeia, olhe a progressão geométrica na qual cada professor impacta dezenas de alunos, e se esses por sua vez assumem o seu papel de contribuição na sociedade, de fato conseguimos uma transformação humana. Vejo o professor como um líder e seu principal papel é formar outros líderes. É um efeito multiplicador. Isso é muito poderoso.

Porém agora eu aumento a responsabilidade desse profissional que tem o desafio diário de promover o conhecimento e as experiências para que seus alunos estejam preparados para a vida. Será que a maneira como esse professor está conduzindo as suas aulas é a forma mais adequada para promover uma transformação humana? O meu universo é a educação. E eu me sinto uma pessoa totalmente privilegiada por poder promover um ensino com foco no ser humano e na transformação de suas vidas. E posso garantir para você que isso não depende de estrutura, de dinheiro, nem mesmo de formação. E sim, da maneira como enxergamos nossos alunos. Estamos tratando com pessoas, logo antes de dominar os conhecimentos de matemática, de biologia ou de qualquer outra matéria, precisamos saber lidar com pessoas. E essa é a chave que precisamos virar para ter uma educação mais significativa e que de fato vai impactar vidas. Quando falamos de educação estamos nos referindo ao topo da pirâmide de valor, sim é algo transformador, é transcendente.

O papel do professor não se limita mais a transmitir conhecimentos e sim ser um facilitador no processo de aprendizagem. Quando falamos de transformação humana os ensinamentos com avaliações objetivas com foco para tirar notas e passar de ano não fazem nenhum sentido. Cito John Dewey que diz que “a educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.” Logo, se trazemos a realidade para a sala de aula não podemos deixar de fora o elemento humano. Em um plano de aula passa a ser obrigatório, além de ensinar física ou literatura, também desenvolver habilidades socioemocionais e competências essenciais para uma vida em sociedade. E antes de promover isso nos alunos, primeiro os professores precisam ter essas habilidades afloradas. Esse profissional guerreiro cada dia precisa exercer mais sua liderança em sala de aula e servir de espelho para seus alunos.

O aprimoramento das habilidades de comunicação, criatividade, resolução de problemas e gestão de conflitos são essenciais para uma melhor fluidez das aulas. O relacionamento interpessoal, trabalho colaborativo, a flexibilidade e a empatia passam a ser imprescindíveis para uma experiência mais humana. E a busca por novos conhecimentos, o bom humor e a automotivação combustíveis indispensáveis para encarar todas as mudanças que ainda virão. O professor deve ser o profissional mais valorizado pela nação e estando melhor preparado e alinhado com o movimento de mudanças, conseguirá maior engajamento e tocar profundamente seus alunos rumo a transformação humana. Lembra do efeito multiplicador?

Por Ronaldo Cavalheri – Engenheiro Civil e Diretor do Geral do Centro Europeu. – primeira escola de economia criativa do Brasil.

Não use cotonete!

Muitas pessoas perguntam se o uso do cotonete, objeto de higiene pessoal utilizado principalmente para limpar os ouvidos da acumulação de cera, é recomendado pelos otorrinolaringologistas. A resposta é não.

Por que não usar? Porque o cerume – secreção proveniente das glândulas sebáceas que se encontram situadas no canal auditivo externo – que produzimos é benéfico, pois tem substâncias que combatem bactérias, fungos e vírus.

É importante lembrar que limpar demasiadamente o ouvido deixa a pele do canal auditivo externo absolutamente sem proteção. Portanto, qualquer contato com água que não esteja bem tratada, seja numa piscina ou o banho em casa, pode levar uma infecção aos ouvidos.

A limpeza diária com cotonete, como muitas pessoas fazem, além de tirar toda a proteção dos ouvidos, provoca um eczema, inflamação cutânea que produz um tipo de alergia caracterizada, inicialmente, por coceira e, depois, por uma aguinha que, ao sair, pode provocar uma infecção, exatamente pela falta de proteção.

Em síntese, não limpe os ouvidos com cotonete e, para fazê-lo, pegue a sua toalha e passe nas dobrinhas atrás das orelhas até onde o seu dedo alcançar.

Por José Eduardo Lutaif Dolci – Professor Titular de Otorrinolaringologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. 

O fogo que consome o Brasil

Por Paulo Stucci – psicanalista e jornalista.

Para muita gente, a noite de domingo é incômoda por si, pois antecipa uma nova segunda-feira, e, com ela, uma nova semana de trabalho, marcando assim o fim do descanso do final de semana – que, para muitos, grupo no qual me incluo, há muito tempo não é de tanto descanso assim.

Porém, nem mesmo minha cama, cujo colchão me costuma a servir de refúgio para os dias mais sombrios, abraçou-me com seu costumeiro conforto. Instalado nela, acompanhava, pelo celular (este onipresente aparelhinho que, em troca de nossa escravidão, nos conecta com o mundo) os desdobramentos do incêndio calamitoso que praticamente acabou com o acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, um dos maiores em mais importantes museus de história nacional e ciências das Américas. Foi uma noite de sobressaltos e pesadelos.

Ao olhar para as imagens das chamas lambendo o que restara da bicentenária construção, não pode deixar de constatar, com tristeza, que aquele fogo tinha algo muito mais simbólico em seu poder destrutivo. Mais do que o acervo e as paredes do Museu Nacional ardiam e desfaleciam em fuligem; o que queimava, e ainda queima, é o próprio Brasil.

O exercício de abstração me foi inevitável diante da tragédia. O museu que é consumido pelas chamas é o símbolo máximo do país que assiste ao esfacelamento de suas instituições. A saúde precária, direito de todos, mas de acesso de ninguém; a educação, que, há muito, em todos os níveis (do básico ao superior) dança no ritmo do “finge que ensina, eu finjo que aprendo”, no mais tradicional molejo do jeitinho brasileiro de dourar a pílula em vez de resultar de modo sumário os problemas; a segurança, que passou a ser um direito de quem está do lado de lá da linha (ou seja, daqueles que infringem as leis), seja um traficante, protegido pelo seu código de conduta e fuzis, seja de um político, ministro ou membro da Corte Suprema, protegidos pelos privilégios e pelo pedestal inacessível em que se instalaram, ao qual nada chega – nem mesmo os tentáculos da lei (sim, aqui, lei não tem braço, mas, sim, tentáculos).

Ano após ano, década após década, revalidamos o nosso elitismo cultural, diante do qual a produção do que é considerado cultura erudita (ou seja, pedaços da cultural nacional popular apropriados pelos artistas de classes mais abastadas) afasta a maioria da população do sabor de usufruir de sua própria cultura – vista como algo limitado ao usufruto dos senhores, tal qual no período colonial. O resultado? Um povo que não se apropria do que é seu, que não luta pela sua cultura, e, por conseguinte, pela educação e civismo. A cultura, no Brasil, é saboreada em guetos, enquanto que, à maioria, restam o “popular”, o “de mau gosto”, “o funesto”.

Voltando à minha abstração. Triste constatar que o Brasil tornou-se um país em que nada dá certo. É inevitável pensar nisso. Uma nação para a qual é impossível ligar A com B, sem que muito se perca em propina e resulte num projeto final meia-boca, para “inglês ver”. Não é de se estranhar que, aqui, em terras brazilis, não se consiga preservar o patrimônio cultural, hora ou outra, vítima de uma tragédia de proporções dantescas (antes do Museu Nacional, tivemos o Museu da Língua Portuguesa e a Estação da Luz, em São Paulo). Mal conseguimos cuidar de entregar ao povo o acesso a necessidades básicas; quanto mais, investir na manutenção de museus e centros culturais – como se o acesso a cultura também não fosse parte da construção de um cidadão pleno em seus direitos.

Ao mesmo tempo em que se secam as lágrimas pelo incêndio do Museu Nacional, precipitam-se as acusações. “A responsabilidade é minha, ponho em quem quiser”. Não é assim que se diz; muitos são os culpados, e, também, muitos serão os acusados. Governo Federal, Governo do Estado do Rio, a Universidade e até mesmo o povo, que, como sabemos, não é lá muito chegado a usufruir de espaços, que, por aqui, chamamos de museus (Velharia, oras!).

A morte do Museu Nacional não é a morte de um prédio antigo e de seu acervo. É mais uma execução bem pensada e planejada de uma teia administrativa composta por bandidos, que governa para seus iguais e que tem como finalidade dilapidar os alicerces essenciais para a construção de uma nação: educação/cultura, segurança, saúde, emprego, temas tão lembrados em época de eleição por nossos demagogos de plantão.

O Brasil segue ladeira abaixo. O último a sair, apague a luz. Ou, melhor, que varra as cinzas.

Acidade Vascular Celebral (AVC): diagnóstico e tratamento

Por Rubens José Gagliardi

O AVC – Acidente Vascular Cerebral é uma doença de manifestação aguda ou rapidamente evolutiva. Se alguém estiver na frente de um amigo ou parente na rua, por exemplo, é bom saber os sintomas principais.

Em questão de minutos, o quadro piora com a manifestação de perda de alguma função, como a fala. O indivíduo não consegue mais falar, tem alguma dificuldade de expressão, compreensão, déficit motor ou perde a força de um lado do corpo.

Pode ocorrer ainda déficit sensitivo, visual, com perda da visão total ou parcial de um dos olhos ou de ambos, dor de cabeça ou tontura muito forte. São vários sintomas que podem vir agrupados, isolados ou associados numa manifestação sempre aguda ou rápida, sempre evolutiva.

Quem presencia esses sintomas deve pensar que se trata de AVC e procurar, o antes possível, atendimento médico especializado, porque o tratamento deve ser rápido e há pouco tempo para fazer o tratamento correto.

O AVC tem tratamentos específicos que trazem bons resultados. Eles são tempo-dependentes e devem ser realizados nas quatro primeiras horas após o AVC. Como é feito? Primeiro, com cuidados gerais. Temos que equilibrar todas as funções do indivíduo, como pressão arterial, taxa de glicose e hidratação.

É preciso ainda utilizar uma droga que desfaça o coágulo e permita a circulação sanguínea. Isso pode ser feito por via endovenosa. Mais recentemente, vem sendo introduzida uma nova técnica, que consiste em retirar o coágulo por meio de um cateter local que o localiza, prende e retira. Para isso, há um tempo de seis a 18 horas aproximadamente,  dependendo da situação, que sempre é emergencial. Por isso, o doente deve procurar rapidamente um tratamento especializado.

Rubens José Gagliardi é professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

COMO ORIENTAR AS CRIANÇAS EM TEMPOS DE “FAKE NEWS”?

A notícias falsas não são novidade no ambiente online. Desde a popularização da rede mundial de computadores eram muito comuns e-mails com informações de apuração duvidosa e tons alarmistas e tendenciosos. Atualmente, apesar de cada vez mais pessoas estarem familiarizadas com as “pegadinhas” da rede como clickbaits e imagens modificadas, as informações falsas ainda resistem.

Nos últimos meses, as “fake news“, notícias fabricadas, se tornaram assunto de interesse público. Informações levianamente apuradas caíram nas timelines de milhões de usuários e se metamorfosearam em pseudoverdades. Segundo Fabiany Lima, CEO e fundadora da ferramenta psicossocial Timokids, os pais devem tomar os devidos cuidados em relação as notícias online e buscar orientar sempre seus filhos sobre o que consumir na internet. De acordo com relatório da UNICEF de 2017, um a cada três usuários da rede é menor de 18 anos.

Assíduas na internet, muitas vezes elas não possuem filtros para separar o que pode ou não vir a ser uma informação verdadeira. Manchetes chamativas e palavras “isca” podem atrair a atenção dos pequenos, que muitas vezes não têm domínio do assunto tratado. Seguem algumas dicas de Fabiany para os pais que querem orientar melhor os seus filhos acerca dos perigos das “fake news“:

Incentivar a leitura: os pais devem incentivar a leitura independentemente do cenário em questão. Quanto mais a criança estiver habituada com as palavras, melhor ela poderá identificar o uso de termos pejorativos e outras práticas tendenciosas;

Preparar melhor para a realidade: uma criança que conhece uma situação, está preparada para enfrentá-la. O mundo não é apenas alegria e diversão então, enquanto há tempo, temos que fazer com que as crianças tenham conhecimento prévio de responsabilidade social, ambiental, segurança coletiva e de si mesmas. Quanto mais preparadas, melhor;

Falar sobre o mundo em que vivemos: a sociedade é complexa e não devemos esperar que nossos filhos entendam questões geopolíticas, sociais e filosóficas enquanto pequenos. No entanto, os pais podem estimular a curiosidade acerca de temas mais leves que envolvam estas disciplinas como mapas, línguas, culturas estrangeiras e atualidades. Dessa forma, a criança já começa a desenvolver suas habilidades de compreensão do universo fora do cerco familiar;

Acompanhar o que seu filho assiste/lê: uma vez sozinhas no ambiente online, as crianças exploram qualquer território que lhes chame a atenção. A ordem é sempre orientar para os perigos das redes sociais, mas conversar com os filhos sobre o que eles estão assistindo, quem eles seguem nas redes, quais canais são seus preferidos também é essencial.

*Fabiany Lima é empreendedora, mãe de gêmeas, fundadora e CEO do Timokids, ferramenta multilíngue psicossocial utilizada em 197 países