Comportamento

Pacientes atendidos pelo CER IV ISD ganham sala para prática de integração sensorial

Colocar um agasalho quando se está com frio, diferenciar texturas e sabores sem necessariamente precisar olhar para eles, distinguir um som suave de um alto ou estridente: essas e outras ações parecem banais para o dia a dia de grande parte da população. A capacidade de interpretar estímulos sensoriais internos e externos, no entanto, não é um processo simples, e milhares de pessoas enfrentam dificuldades na interpretação dessas sensações, essenciais para a qualidade de vida e uso do corpo no ambiente de maneira funcional. 

Na década de 1970, a Terapeuta Ocupacional e pesquisadora estadunidense Jean Ayres constatou que a “disfunção sensorial”, como é chamada essa dificuldade neurológica de interpretar estímulos, poderia estar associada a uma série de problemas no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Para tentar tratar a disfunção, Ayres desenvolveu uma abordagem que chamou de Integração Sensorial, cujo objetivo é “organizar” as sensações e prover as informações necessárias para que as pessoas afetadas pela condição pudessem reagir aos estímulos adequadamente. 

Atendido na Clínica de Prematuridade do Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi  (Anita), uma das unidades do Instituto Santos Dumont (ISD) em Macaíba (RN), João Pedro Silva, de 5 anos, é uma das crianças e adolescentes que passaram por sessões de terapia ocupacional com a abordagem da Integração Sensorial. “Ele tinha muita dificuldade com texturas. Coisas com textura de massa, grama, areia, por exemplo, provocavam reações muito fortes nele”, explica a mãe de João Pedro, Telma Silva, de 47 anos. 

Desde os 10 meses de idade, João Pedro é atendido pela equipe multiprofissional do Anita. Em 2022, com a inauguração da sala de Integração Sensorial do Centro Especializado em Reabilitação que funciona na unidade (CER IV ISD), passou a ser atendido também dentro dessa abordagem. 

A preceptora multiprofissional terapeuta ocupacional Thays Brígido, que atende na unidade, explica que a abordagem da Integração Sensorial é importante para garantir que as crianças e adolescentes possam se desenvolver de forma funcional. “A todo momento você está recebendo estímulos e você se adapta e reage a eles. Quando você entra em uma sala, você identifica o espaço, onde ir, sua profundidade, onde sentar, se está frio, se está quente, e você modula suas reações de acordo com esses estímulos. Se você não for capaz de modular essas reações, você acaba não conseguindo dar respostas funcionais”, explica.

 “Nós avaliamos, vemos qual é a área do processamento que merece um olhar maior de nossa parte. Se ela sente demais a sensação de movimento, isso pode resultar que ela fique mais parada, por exemplo, porque ela pode não conseguir suportar o movimento. Então nós vamos trabalhar essa questão da aceitação desse movimento”, diz Thays. A terapeuta destaca que a abordagem é específica para as pessoas que apresentam alguma dificuldade no processamento sensorial, e que os pacientes precisam passar por uma avaliação antes de começarem a praticá-la.

Durante as sessões, são trazidas situações do dia a dia nas quais a disfunção sensorial interfere, como no ato de brincar, estudar e se alimentar. É por isso que a prática exige espaços adaptados, com equipamentos específicos que ajudem nessa integração. “Nós avaliamos, vemos qual é a área do processamento que merece um olhar maior de nossa parte. Se ela sente demais a sensação de movimento e isso resulta que ela fique mais parada, por exemplo, porque ela não consegue suportar o movimento. Então nós vamos trabalhar essa questão da aceitação desse movimento”, diz Thays. A terapeuta destaca que a Integração Sensorial não é para todos, e que os pacientes precisam passar por uma avaliação antes de começarem a praticar a abordagem. 

Para Telma, mãe de João Pedro, os efeitos da adaptação no processamento dos estímulos já possuem efeitos práticos no dia a dia. “Ele agora já pede para fazer a massinha de pizza, já consegue pisar na grama… são coisas que fazem muita diferença. O trabalho que é feito nas sessões não acaba depois da consulta, tem muitos exercícios e atividades que eles passam para fazermos com ele em casa e que realmente produziram muitos efeitos bons para ele”, relata. 

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