Educação

Instituto Santos Dumont discute ampliação de parcerias com Ministérios, UFRN e Senai; reuniões visam estabelecer relações entre as instituições

O Instituto Santos Dumont (ISD) recebeu na quarta-feira, 3 de novembro, representantes dos Ministérios da Saúde e da Defesa, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)  através do Centro de Supercomputação para Inovação Industrial (Cimatec), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Agência de Inovação da UFRN e do Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), para uma série de reuniões que visam estabelecer novas parcerias entre as instituições. O ISD é uma Organização Social vinculado ao Ministério da Educação que atua nas áreas de ensino, pesquisa e extensão através do Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra (IIN-ELS) e do Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi (Anita), e discutiu com os órgãos sobre como integrar cada vez mais as áreas de educação, pesquisa e saúde. 

A comitiva, capitaneada pelo secretário executivo adjunto do Ministério da Saúde, Alessandro Vasconcelos, foi recebida pelo diretor-geral do ISD, Reginaldo Freitas Jr., ao lado do diretor administrativo, Jovan Gadioli dos Santos, e da gerente do Anita, Lilian Lira Lisboa. O diretor-geral explicou aos participantes da reunião como o ISD foi criado e por quais motivos está instalado no Rio Grande do Norte, que é um dos estados brasileiros com o maior índice de pessoas com deficiência em relação à população geral. Em seguida, o coordenador do Centro Especializado em Reabilitação (CER IV ISD), Hougelle Simplício, e o gerente do IIN-ELS, Edgard Morya, apresentaram as linhas de pesquisa desenvolvidas no Instituto Santos Dumont, que envolvem aplicações práticas em algumas clínicas do Anita. 

“O que a gente vê hoje é que a pesquisa que está sendo desenvolvida no ISD está ganhando visibilidade internacional. Mas nós queremos que ela se volte para os problemas existentes no Brasil”, destacou o coordenador do CER IV ISD, Hougelle Simplício. O pesquisador professor do ISD, Fabrício Brasil, destacou a ausência de incentivos financeiros ao desenvolvimento da pesquisa nacional e, por isso, os projetos estão sendo apresentados fora do país para captação de recursos. O projeto HERO, um exoesqueleto cujo objetivo é devolver o movimento das mãos às pessoas com sequelas do acidente vascular cerebral, desenvolvido pelo neuroengenheiro pelo ISD, Rommel Araújo, em parceria com Fabrício Brasil, é um exemplo. Os pesquisadores inscreveram a pesquisa em editais de financiamento internacionais e foram selecionados em alguns deles. 

Durante a apresentação sobre as pesquisas envolvendo neuroengenharia, Hougelle Simplício expôs que cerca de US$ 3 trilhões ao ano serão investidos na área e cada vez mais países estão desenvolvendo pesquisas voltadas à inovação neurotecnológica. O segmento está atraindo atenção não somente dos governos federais, mas também de empresários. Hoje, metade das indústrias que exploram a neurotecnologia está sediada nos Estados Unidos. Na América Latina, nenhuma. No Brasil, há hubs voltados à neuroengenharia nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Nessa, na Bahia, com o Senai/Cimatec, e no Rio Grande do Norte, com o Instituto Santos Dumont. 

Após as explanações, a comitiva conheceu a estrutura do Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra, que conta com Laboratórios de Neurobiologia, Interface Homem-Máquina, Neuroprostética, Eletrofisiologia, Neurocomputação, Microscopia, Microscopia Confocal, Criostato, Neurorreabilitação e Centro Cirúrgico, Biotério, além de salas de aula, auditório e espaço para exposições. “Esse é um bom momento para aprofundar o conhecimento e trazer empresas para serem parceiras. Precisamos firmar parcerias produtivas”, frisou o Tenente-Brigadeiro do Ar R/1, Jeferson Domingues de Freitas, secretário da Secretaria-Geral de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto do Ministério da Saúde, enquanto conhecia a estrutura do IIN-ELS e conversava com os pesquisadores professores, mestrandos e alunos de iniciação científica.

Anita

No período vespertino, a comitiva se dividiu e três membros do Ministério da Saúde seguiram para o Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi (Anita), também na zona rural de Macaíba. A gerente da unidade, Lilian Lira Lisboa, acompanhada do engenheiro de manutenção do ISD, Jobson Rosseni, recebeu Rodrigo dos Santos Santana, diretor do Departamento de Determinantes Ambientais de Saúde Indígena e secretário substituto da Secretaria Especial de Saúde Indígena; Marco Aurélio Benedito Queiroz Silva, engenheiro do Departamento de Determinantes Ambientais de Saúde Indígena; e Átila Szczecinski Rodrigues, diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Eles conheceram a estrutura da unidade, que funciona como escola de saúde, cuja maioria das salas, consultórios e ambientes coletivos foi montada com o uso de contêineres. O modelo deverá ser seguido pelo Ministério da Saúde para subsidiar a montagem de Unidades Básicas de Saúde Indígenas e Alojamentos em mais de seis mil comunidades indígenas espalhadas pelo Brasil. Além disso, Lilian Lira Lisboa explicou como funciona a dinâmica dos indicadores de medição de qualidade e produção impostos pelo Ministério da Educação (MEC) que balizam o contrato de vinculação com o ISD. Os representantes do governo federal elogiaram a estrutura física e a gestão do Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi ao final da reunião.

No IIN-ELS, a outra parte da comitiva, além da diretoria geral e administrativa do ISD, recebeu o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), José Daniel Diniz; o diretor da Agência de Inovação da UFRN, Daniel Pontes; e a assessora especial da UFRN para o Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), Ângela Paiva. O tema da reunião foi o desenvolvimento de parcerias unindo ciência, tecnologia e assistência social. 

Durante a reunião, o reitor da UFRN, José Daniel Diniz, destacou o papel desempenhado pela instituição durante a pandemia, com a realização de testagens em massa e a integração entre os laboratórios de pesquisa e as autoridades de saúde. De acordo com ele, a ideia é que essa presença se intensifique no próximo período, com uma integração cada vez maior entre Universidade e Indústria para desenvolver soluções inovadoras para as principais demandas da sociedade.

O objetivo foi reforçado pela Professora Ângela Paiva, assessora especial da UFRN para o PAX. “A inovação se dá quando nós temos o interesse recíproco das instituições, setor produtivo e Ministérios na inovação produzida em instituições de ciência e tecnologia, como o ISD e a UFRN. Um encontro como esse  nos estimula em direção a pesquisas voltadas para o caminho da cidadania, utilizando o desenvolvimento tecnológico para dar respostas a problemas sociais. Considero esse encontro muito importante e que pode render muitos frutos pela frente para as instituições, entre elas o Parque Tecnológico Augusto Severo”, frisou.

O diretor da Agência de Inovação da UFRN, Daniel Pontes, ressaltou a importância dos investimentos nas áreas de tecnologia e inovação “Temos tido resultados muito importantes, a exemplo da evolução nos registros de patentes de projetos. A UFRN é a 17° colocada no ranking de patentes do Brasil. Temos ainda como grande destaque os Sistemas de Gestão Acadêmica, o SIG, que está presente em mais de 70 universidades. São exemplos de uma estrutura muito boa que a universidade federal possui, com grandes possibilidades de crescimento”, exemplificou.

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