Opinião

Carta aberta de uma professora: a Revolta das Vacinas

Por Ana Elisa de Oliveira

Durante a República Velha, em meados de 1900, chegaram ao Brasil inúmeras doenças contagiosas e epidêmicas como a varíola, a peste bubônica e a febre amarela. O foco do governo naquela época não consistia em atendimento público, mas sim em prevenção.

Foi então que o presidente Rodrigues Alves começou a fazer diversas reformas sanitárias. Entre elas, destaca-se a vacinação obrigatória contra a varíola, fomentada pelo médico Oswaldo Cruz.

Na época, a população se rebelou contra essa medida, uma vez que não entendiam por que deveriam ser vacinados, ficavam receosos com os possíveis efeitos adversos, além de não aceitarem suas casas serem invadidas para a vacinação ser efetuada. Muitos se revoltaram também porque quem não se vacinava não conseguia acesso a certos direitos, como matrícula em escolas, empregos, realizar casamentos ou viagens.

No século em que tudo isso ocorreu, as informações eram escassas e o governo não dialogava com a população explicando o porquê das medidas públicas e como seriam realizadas. Isso resultou na Revolta das Vacinas, manifestação popular que levou ao estado de sítio e à suspensão da obrigatoriedade da vacina.

Saindo deste contexto e fazendo um paralelo com o ano vigente (2020), hoje temos acesso às inúmeras informações, vemos os melhores médicos nas grandes mídias falando sobre os benefícios das vacinas e os avanços da biomedicina que garantem a eficácia da prevenção.

E mesmo assim, o cenário atual é que em 2019, o Brasil não bateu nenhuma meta das 15 vacinas gratuitas do calendário, após 25 anos. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha mostrou que 1 a cada 4 brasileiros não pretende se vacinar contra o COVID-19.

Neste sentido, tendo consciência da importância de um movimento que apoie as vacinas, nós, professores da plataforma de streaming com conteúdos voltados aos estudantes de medicina, Jaleko, ensinamos sobre doenças infecciosas, extraindo aprendizados sobre o passado da saúde pública e reforçamos o papel que as doses de prevenção desempenham para o controle de doenças letais.

Sendo assim, os futuros médicos precisam se conscientizar dessa nova onda de “não à vacina”, combater as fakenews e saber tudo sobre vacinação e os seus avanços no controle de possíveis pandemias ou epidemias.

As vacinas são um método de imunização ativa, onde por meio da inoculação do microrganismo “enfraquecido” ou inativado, há estímulo da resposta imunológica, principalmente na produção de anticorpos específicos àquele microrganismo, levando ao desenvolvimento de memória imunológica. Logo, uma vez vacinado, se em algum momento esse indivíduo entrar em contato com esse agente infeccioso, ele não desenvolverá a doença, pois já possui imunidade específica contra tal patógeno, e assim esse será eliminado.

Como professores, profissionais da área da saúde e mais do que isso, membros da sociedade, devemos nos posicionar. É um compromisso que se firma, entre nós, você, leitor ou leitora, e outras pessoas e instituições, para que estejamos todos preparados para conquistar cada vez mais pacientes e convidá-los à imunização.

Ana Elisa Almeida – médica graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), residente de Infectologia – Complexo Hospitalar Universitário Prof. Edgar Santos/ UFBA e professora do Jaleko, plataforma de streaming com conteúdos voltados aos estudantes de medicina.

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