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Idosos são 71% dos casos de Covid-19 no Nordeste

Pessoas com 60 anos ou mais representam 71,7% dos óbitos em decorrência da Covid-19 no Nordeste. A informação foi publicada pelo Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica da Covid-19 (Onas-Covid19), com base em informações oficiais de outros órgãos oficiais. Apesar de o dado ser inferior ao nacional (73%), pesquisadores da UFRN estão preocupados com o avanço da doença para o interior, principalmente porque os municípios menores não possuem uma estrutura hospitalar adequada para o tratamento do novo coronavírus.

Em 2018, o número de pessoas com 60 anos ou mais no Nordeste representava 12,6% (7.249.788) de toda a sua população (57.374.243), demonstrando que a região tem um volume considerável do contingente populacional no grupo de maior risco à pandemia, segundo o critério de idade. No dia 15 de maio, o próprio Onas publicou nota confirmando que metade dos municípios do semiárido nordestino já tinham casos confirmados da Covid-19. Esse número pode ter subido substancialmente nos últimos 15 dias, considerando que o Rio Grande do Norte registra casos em 85% de seus municípios, de acordo com levantamento do grupo Georisco, da UFRN.

Segundo os professores Flávio Henrique Miranda de Araujo Freire e Marcos Roberto Gonzaga, do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais (DDCA/UFRN) e do Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDem/UFRN), responsáveis pelo estudo, com o avanço da pandemia para o interior dos estados do nordeste, é importante conhecer a estrutura etária no nível municipal, sobretudo pela falta de estrutura hospitalar em grande parte destas localidades.

O estudo observou que a população idosa cresce a taxas muito maiores do que a população em geral no Nordeste, chegando a 2,76% por ano na última década, contra 0,56% da população em geral no mesmo período. O ritmo do envelhecimento populacional é acentuado nos nove estados nordestinos, destacando-se Alagoas, Sergipe, Bahia e Rio Grande do Norte, com crescimento de população idosa por volta dos 3% ao ano. Há 10 anos, por exemplo, o RN tinha 242.425 pessoas idosas. De lá para cá, o número cresceu 2,97% a cada ano e hoje já é de 325 mil.

Em abril, outro levantamento da Onas mostrou que a região possuía em média apenas 1,3 médicos por mil habitantes. São apenas 74,4 mil médicos para os nove estados da região (cerca de 82% vinculados ao SUS). Embora esteja dentro dos parâmetros recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os pesquisadores afirmam que essa distribuição é desigual e favorece as regiões metropolitanas em detrimento dos municípios do interior. Excluídas as capitais e seu entorno, a média de médico por habitante nos estados cai para 0,5 profissional por mil habitantes.

O Observatório registrou ainda que apenas os estados da Bahia, Paraíba e Pernambuco estão acima da média nacional em número de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Em termos gerais, apenas 5% dos municípios (94) possuem ao menos um (01) leito de UTI adulta. Uma média de apenas 3,3 leitos por municípios ou 62,3 leitos por município que dispõe do equipamento. Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES/Datasus) para o ano de 2019 mostram que cerca de um terço dos municípios nordestinos (588) possuem respiradores/ventiladores, o que representa uma média de apenas 6,8 aparelhos por município.

Texto: José de Paiva Rebouças de Agecom-UFRN.

Foto: Cícero Oliveira

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