Comportamento

Coronavírus: um momento importante para aprender sobre o medo

Entender as próprias emoções e saber regulá-las nos capacita a lidar melhor com as dificuldades, afirma psiquiatra e especialista em aprendizagem socioemocional

Controlar impulsos, que podem se manifestar em situações de medo, é um grande desafio. Mas é algo que pode ser aprendido. “Verificar se uma emoção está adequada ou não à situação que estamos vivendo é uma decorrência do autoconhecimento”, diz Celso Lopes de Souza, médico psiquiatra e um dos fundadores do Programa Semente.

Segundo ele, se uma pessoa não reconhece determinada emoção, ela não sabe se o que está sentido é apropriado para a situação. Isso significa conhecer os sintomas físicos e identificar os gatilhos do que nos provoca medo, raiva ou tristeza, por exemplo. “O autoconhecimento é um pressuposto da regulação emocional”, explica.

 

Outro aspecto importante do autocontrole é avaliar se a emoção que estamos sentindo está mais ajudando ou atrapalhando. O medo, por exemplo, pode até ter um caráter protetor. “Em um contexto como o que estamos vivendo, ter medo da contaminação, por exemplo, ajuda a pensarmos no coletivo e tomar atitudes preventivas. Mas, quando o medo se intensifica demais, as decisões podem não ser as melhores. Imagine o caso de uma pessoa que vai procurar o serviço de saúde ao primeiro espirro. Isso aumenta não só as chances de contrair a doença, mas também de espalhar o vírus”, afirma Souza.

O autocontrole a flexibilização cognitiva

Entre as estratégias de autocontrole, Celso Souza cita a flexibilização cognitiva. “Ela consiste em encontrar outro pensamento, que estrutura e reforça uma emoção mais coerente com o que estamos vivendo. É uma maneira de perceber que muito daquilo que sentimos nasce daquilo que pensamos.”

Por exemplo, é normal uma pessoa sentir insegurança em um contexto de pandemia, mas se os pensamentos forem “nunca mais as coisas voltarão ao normal” ou “todo mundo vai contrair a doença”, ela pode amplificar a força da tristeza e do desespero. Por outro lado, se focar no sentimento de coletividade e solidariedade que está envolvendo o mundo neste momento, isso permitirá muito melhor com a situação.

A flexibilização cognitiva ensina a encontrar pensamentos que vão fazer com que se torne mais fácil passar por momentos de dificuldade. “É como andar de bicicleta. No começo parece difícil, mas, com o uso frequente, vai se tornado automático, e a pessoa adquire a capacidade de enfrentar melhor as adversidades”, afirma.

Sobre o Programa Semente (www.programasemente.com.br) – Com uma abordagem moderna e inovadora, o Programa Semente está presente em escolas brasileiras contribuindo para o desenvolvimento socioemocional de alunos, pais e educadores. A partir de um material escrito por educadores, médicos e psicólogos, sua metodologia possibilita que sejam trabalhadas em sala de aula questões como sociabilidade, autoconhecimento, autocontrole, empatia e decisões responsáveis, entre outras habilidades, cada vez mais presentes no mundo do trabalho e nas principais avaliações internacionais de educação, como o PISA. Desta forma, o Programa Semente contribui para a alfabetização emocional.

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