Educação

Formação de professores a distância dobra e tem qualidade inferior à presencial

Estudo do Todos Pela Educação mostra que EAD nas áreas de Pedagogia e Licenciatura é duas vezes maior do que em outras áreas e já ultrapassa o número de ingressantes em cursos presenciais

O movimento Todos Pela Educação, ONG fundada em 2006, em defesa da Educação brasileira, divulga hoje (15) estudo sobre a formação inicial de professores, comparando indicadores das modalidades presencial e a distância. O levantamento mostra que já temos mais professores formados a distância do que presencialmente e que o desempenho dos concluintes da EaD são inferiores aos dos formados de maneira presencial.

Com qualidade inferior, número de ingressantes na formação de professores a distância dobra nos últimos sete anos

Seis em cada 10 alunos brasileiros que começaram cursos de Graduação voltados à formação de professores em 2017 (Pedagogia e Licenciaturas) estavam na Educação a Distância (EAD), proporção duas vezes maior que nas demais áreas do Ensino Superior (27%). Nos cursos de formação de professores, essa modalidade cresceu 27 pontos percentuais (p.p) desde 2010, quando os ingressantes nos cursos EAD correspondiam a 34%. A figura abaixo ilustra esse cenário.

Sob a ótica dos alunos que terminaram a graduação (concluintes), o movimento é semelhante. A Rede Privada, que forma atualmente 72% dos futuros professores do Brasil, dobrou o número de graduados em cursos EAD em 4 anos: foram 49,4 mil concluintes em cursos a distância em 2013 e 98,5 mil em 2017.  É na formação de professores, portanto, em que há a maior presença de EAD e onde essa modalidade mais cresce.

Os dados são de um estudo do Todos Pela Educação que mostra, ainda, que os futuros professores formados em EAD possuem desempenho acadêmico pior que os da modalidade presencial. Entre os formados a distância, por exemplo, 75% estão abaixo da pontuação 50 no Enade (em uma escala de 0 a 100); esse porcentual é de 65% em relação aos concluintes de cursos presenciais.

A pesquisa usou como base informações do Censo da Educação Superior, do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e do Conceito Preliminar de Curso (CPC), que são coletadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e pelo Ministério da Educação (MEC).

“O professor é o profissional mais importante para o desenvolvimento social e econômico do País, pois é o fator determinante para a qualidade da Educação. A presença exagerada de EAD nessa formação, que demanda constante articulação entre a teoria e os desafios práticos do dia a dia escolar, é muito preocupante. Há, é claro, espaço para a tecnologia apoiar, mas não da forma como estamos fazendo, criando uma verdadeira indústria de cursos online para baratear os custos de formação. Esse é um entendimento básico em países que se destacam em Educação, afinal, compreendem que a formação de professores exige o mesmo rigor que a formação de um médico, de um engenheiro. Se queremos uma Educação melhor, urge a discussão sobre mudanças profundas no sistema de regulação da formação de professores no Brasil e o papel do EAD na área”, afirma Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação.

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