Comunicação

Tribuna do Norte: Trincheira de intelegência jornalística

Por Isaías Oliveira – Jornalista

Ticiano Duarte, Woden Madruga, Cassiano Arruda, Paulo Tarcísio Cavalcanti, Agnelo Alves, Jaime Hipólito Dantas, Vicente Neto, Carlos Peixoto, Everaldo Gomes da Porciúncula, Valdir Julião, Aluízio Alves, Osair Vasconcelos, Everaldo Lopes, Cláudio Oliveira – estes são alguns dos nomes que contribuiram para o fortalecimento de uma trincheira de inteligência jornalística em Natal que recebeu o nome de Tribuna do Norte.

Fundado em 24 de março de 1950 pelo jornalista vocacionado Aluizio Alves, o jornal Tribuna do Norte enfrentou os mais variados momentos da cena política e as variáveis da economia em um estado notadamente pobre. Enfrentou todos os momentos, entre os quais, a cassação de seu fundador e principal líder, em um regime militar duro com tolerância zero para quem o criticasse. Enfrentou todos esses momentos sem se envergonhar de sua posição política, mantendo os ideiais que o fundaram.

O jornal Tribuna do Norte não surgiu como principal em Natal. As dificuldades para fazer o jornal circular de forma razoável em termos estéticos, porém, se avolumaram durante o período militar. Nessa época, com o Diário de Natal, na época o maior concorrente da Tribuna, já circulava embelezado pela impressão offset, o mesmo passou a também acontecer com A República. Enquanto isso, a Tribuna do Norte chegava até o leitor com impressão à quente, feita ainda de forma antiquada e rudimentar.

A disparidade gráfica era enorme, mas a criatividade e a inventividade, próprias de quem já trabalhava com inteligência jornalística, conseguiam diminuir as distâncias entre os concorrentes embelezados e a Tribuna produzida a partir de composição com placas de chumbo.

Esse período marcou fortemente a capacidade de um grupo de profissionais empenhados em manter viva a chama de um jornal que tinha alma própria e era, em si mesmo, aglutinador de convicções e propagador de sonhos. Com o advento do parque gráfico, com modernas impressoras e fotocompositora, em 13 de outubro de 1979, a Tribuna do Norte passou a competir em pé de igualdade com seus concorrentes, e isso começou a fazer a diferença.

Hoje, a Tribuna do Norte se mantém viva e é o grande jornal do Rio Grande do Norte. É também mostragem de que o jornalismo, embora passe por um momento de absoluta indefinição quanto ao seu futuro, pode sim ter presença assegurada na sociedade que se pretende pós-moderna. A receita estará sempre dada a priori. É a receita desse time de grandes comunicadores que desfiliram pelas páginas do jornal ao longo desses 69 anos, a começar por seu fundador, Aluizio Alves – a de um jornalismo criativo, corajoso e inteligente.

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