Educação

Estudo mostra que estrutura da fala na psicose é resistente a educação formal

Por José de Paiva Rebouças – Agecom – UFRN.

A interação social é a primeira ação para o desenvolvimento da linguagem. Porém uma pesquisa desenvolvida no Instituto do Cérebro (ICe) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) revela que o sujeito evolui muito mais de acordo com o nível educacional, ao qual tem acesso, do que com a própria idade cronológica e relações sociais não educacionais.

Com o título A maturação da estrutura da fala na psicose é resistente a educação formal, o estudo desenvolvido pelos pesquisadores Natalia Mota, Mariano Sigman, Guillermo Cecchi, Mauro Copelli e Sidarta Ribeiro foi publicado na npj Schizophrenia, revista do grupo Nature.

Enquanto a percepção e a produção fonológica de pessoas com desenvolvimento típico são caracteristicamente dominadas nos anos iniciais de vida, vocabulário, sintaxe e gramática continuam amadurecendo até o ensino médio por meio da combinação de desenvolvimento cognitivo e educação, acelerada por alfabetização e interação social.

No caso de sujeitos com esquizofrenia ou transtorno bipolar do tipo 1, entretanto, a pesquisa mostra que o aprendizado escolar não apresenta a mesma extensão. Nessa população, o discurso geralmente se deteriora em vez de melhorar, mesmo se os sujeitos tiverem uma boa vida educacional durante aparecimento de sintomas psicóticos.

Para explicar as diferenças de verbosidade não patológicas entre os sujeitos, foi utilizada uma análise por grafos não semântica, com número fixo de palavras. 200 voluntários foram ouvidos na pesquisa, sendo 135 indivíduos típicos e 65 pacientes com sintomas psicóticos, com idades entre 2 e 58 anos

Os dados constatam que sujeitos com psicose demonstram na idade adulta uma estrutura discursiva semelhante à de uma criança. “Sujeitos sem sintomas aumentam o alcance da recorrência de palavras ao longo dos anos escolares, mas a mesma característica em indivíduos com psicose resiste à educação. É como se ficasse resistente a esse treino”, reforça a psiquiatra Natalia Mota, primeira autora do trabalho.
O artigo pode ser conferido, na íntegra e em língua inglesa, no siteda revista Nature.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s