SER PROFESSOR

Uma das ações que seguramente está ligada ao ser humano desde sua origem é a aprendizagem. O homem aprende de várias formas, por isso, tratar deste assunto é algo muito complexo e, não por acaso, motivo de cuidado desde as culturas mais remotas.

Nesse contexto, considerando-se que a quantidade de conhecimento adquirido pela humanidade ao longo de sua história só aumentou, o ato de aprender passou a ser cada vez mais preocupante.

Nesse universo surgiu a figura do professor, o sujeito que se preocupava em saber cada vez mais, se possível, de tudo, para então poder compartilhar seu conhecimento de forma dirigida com personagens da sociedade. Assim, a partir da aceitação de que todos tinham de aprender, e que passou a existir alguém que pudesse facilitar esta aprendizagem, surgiu o ato de ensinar.

Daí o binômio ensino-aprendizagem passou a ser uma das mais emblemáticas expressões na Educação da Humanidade: só existe ensino, se existir aprendizagem; se alguém, que imagina ter ensinado, não obtiver comprovação de que seu discípulo (ou aluno) não aprendeu, simplesmente concluirá que não houve ensino. O ensino de um professor só se efetiva com a respectiva aprendizagem daquele com o qual compartilhou-se o conhecimento, o saber.

Portanto, se o significado da palavra se restringir apenas à sua origem etimológica, ou seja, o ato de professar (professar conhecimento), o resultado obtido poderá estar comprometido. O professor, além de professar, deve também ensinar:

– Reiterando-se a explicação anterior, “não terá ocorrido ensino, se não ocorrer a aprendizagem”.

Por isso e, sobretudo, pela responsabilidade que assumiu perante a sociedade, o professor no decorrer da história distinguiu-se por sua indiscutível importância, passando a ser indispensável em qualquer cultura. Ser professor passou a ser uma ação sublime, nobre, de grande destaque.

Passados séculos desta evolução, chegou-se aos dias de hoje e algumas pessoas questionam o respeito e a valorização do professor nas mais diferentes nações. Em algumas, parece haver mais respeito e maior valor, em outras, porém, não existe necessariamente todo este reconhecimento. No entanto, não existem registros de que o professor possa ser dispensável.

Este indicador tem grande significado, pois, se o professor continua a ser indispensável, é porque, naturalmente, já existe aí um reconhecimento, um grande valor.

Não se pode confundir respeito com reconhecimento e valorização. Embora em alguns casos tais conceitos possam se confundir, faz-se necessário a distinção. O Respeito é um princípio ético, é cultural, enquanto valorização e reconhecimento dependem da necessidade que se tem do sujeito. Mesmo quando ocorre o desrespeito ao professor, ninguém é capaz de dizer que o mesmo não seja reconhecido e valorizado, em face de sua importância.

Ser professor ainda continua a ser um ato nobre, a carreira de professor continua a ser marcante na sociedade. Poucos se lembram de seu pediatra ou de seu dentista da infância, mas, certamente, todos se lembram de seus professores, um a um, nome a nome, disciplina por disciplina. Considerando-se apenas isto, já se pode falar em reconhecimento e valorização.

Todavia, a docência não é apenas esse “romantismo”, é também um desafio, pois, em meio a este protagonismo social de que goza o professor, existe a responsabilidade, a incompreensão, os parcos recursos sociais e materiais e também baixos salários.

Por isso, ser professor, não se restringe apenas às condições de trabalho ou de salário. Ser professor é ser protagonista na sociedade, é ser responsável, é ser crítico, inconformado, mas, também, feliz, realizado, conhecedor de sua indiscutível importância, de ser alguém indispensável, reconhecido e valorizado.Em resumo: é muito bom ser professor!

Ítalo Francisco Curcio é pedagogo, doutor e pós-doutor em Educação, e coordenador do curso de Pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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