Cigarro também está ligado a cânceres e doenças do aparelho digestivo

Entidades médicas alertam que, além de afetar trato respiratório, o tabagismo está relacionado aos tumores esofágico, gástrico, colorretal e outras doenças

A relação entre o cigarro e os mais de 31 mil novos casos de câncer de pulmão identificados anualmente (INCA, 2018) é popularmente conhecida, bem como os problemas respiratórios, cardíacos e psicológicos causados pelo tabagismo. Em menção ao Dia Nacional do Combate ao Fumo, lembrado em 29 de agosto, a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) e a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) chamam atenção aos impactos negativos para o aparelho digestivo.

O tabagismo causa desgaste desde a boca até o intestino delgado. Além do mau hálito, a parte óssea da boca é comprometida, afetando diretamente a sustentação da gengiva. O esmalte do dente também é afetado. Ainda, o cigarro é responsável por 95% dos casos de câncer de boca.

No esôfago e estômago, a mucosa é agredida e, assim, o trato gástrico é mais propenso à gastrite e úlcera. Sobretudo quando associado ao consumo de bebidas alcoólicas, fumar está entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de tumores nesses órgãos – segundo a American Cancer Society, pessoas que fumam mais de um maço por dia dobram as chances de adenocarcinoma de esôfago, quando comparado com um não fumante.

Na lista de tumores acarretados pelo cigarro da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC) já consta esôfago e estômago e, mais recentemente, foi incluída a neoplasia de intestino.

O Dr. Tomazo Franzini, diretor da SOBED, afirma que estudos fortalecem as evidencias de que pessoas que fumam por muito tempo têm risco aumentado para desenvolver câncer colorretal, mesmo que controle os outros fatores associados.

“Quanto mais tempo se tem o hábito de fumar, mais difícil se torna a recuperação dos danos causados. A tendência da maioria dos casos em que o paciente apresenta algum problema no aparelho digestivo e fumou por um longo tempo é de uma recuperação muito tardia em relação àquele que não fuma”, completa o especialista.

O cigarro é composto por mais de 4.700 substâncias tóxicas e muitas delas estão diretamente relacionadas ao surgimento de tumores. Mais do que isso, o tabagismo ainda é associado a uma série de outras doenças do aparelho digestivo, aponta o médico gastroenterologista e presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), Dr. Flávio Quilici.

“O tabagismo é prejudicial para todo o organismo. O uso da nicotina contribui para o surgimento de outras doenças comuns do aparelho digestivo, tais como azia e doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), úlceras pépticas e algumas doenças do fígado. Fumar aumenta o risco de doença de Crohn, pólipos do cólon e pancreatite, além de aumentar o risco de cálculos biliares”, ressalta.

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