UFRN investe no desenvolvimento tecnológico para as ciências agrárias

por Rosana Pimentel

Criar um curso de Tecnologia da Informação voltado para o desenvolvimento tecnológico para as Ciências Agrárias foi a inquietação inicial de um grupo de professores do Curso Técnico em Informática da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), Unidade Acadêmica especializada em Ciências Agrárias da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba.

A união da Tecnologia da Informação e das Ciências Agrárias, áreas de conhecimento desenvolvidas na EAJ, fez surgir o Curso Superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (TADS). “Sendo um grupo de Tecnologia da Informação, funcionando dentro de uma unidade de Ciências Agrárias, entendemos que essa aproximação era necessária”, comenta o professor Max Lacerda, um dos idealizadores do curso.

Apesar de ser um curso novo, a procura está aumentando. “Essa é uma realidade que está mudando muito rapidamente devido ao trabalho realizado pelos professores com a divulgação das nossas ações”, conta o coordenador do TADS, Taniro Chacon. Segundo ele, os novos estudantes entram no curso com uma outra visão acerca do potencial e do nicho de mercado no qual está inserido.

A taxa de empregabilidade é animadora. “Todos os alunos formados estão com atividades que demonstram a aplicação das habilidades adquiridas. Temos alunos trabalhando com desenvolvimento, realizando mestrado na UFRN, realizando residência de software na UFPE, e até atuando como professor”, comemora o coordenador.

Para Taniro Chacon, a formação dos alunos com foco na integração entre TI e as Ciências Agrárias pode impactar positivamente as comunidades e o mercado. “O nosso mercado possui uma carência enorme de tecnologia, principalmente na área das Ciências Agrárias. Muitas produções agrícolas ainda usam técnicas custosas em recursos como espaço, energia, água. Com a aplicação da tecnologia, de ferramentas apresentadas no nosso curso, é possível mudar essa realidade beneficiando produtores, meio ambiente e comunidade”, afirma.

O curso possui atualmente nota 5 na avaliação realizada pelo Ministério da Educação (MEC). Um dos fatores que contribuíram para a avaliação é o projeto político pedagógico moderno, alinhado com propostas de aplicação da TI nas Ciências Agrárias e compatível com outros cursos de TADS do país; a qualificação do corpo docente, além da infraestrutura com laboratórios para aulas práticas e pesquisa.

Pesquisas beneficiam a comunidade

As aplicações da integração entre TI e as Ciências Agrárias estão a pleno vapor. O professor de Agronomia da EAJ, Márcio Dias, reúne alunos das Ciências Agrárias e do curso de TADS para trabalhar com análise de sementes. “Hoje temos uma base de pesquisa, mas começamos como uma disciplina. Na época, existiam poucas universidades no mundo que trabalhavam com isso. No Brasil, apenas duas”, lembra.

O professor conta que a Universidade de Ohio nos EUA havia desenvolvido um software para analisar o vigor de sementes a partir da avaliação de imagens de plântulas – primeiro estágio da planta que surge com a germinação da semente, mas o alto custo inviabilizava o uso por grande parte dos produtores e de pequenas universidades. “Então pensamos em desenvolver um software livre e de fácil uso, que desde as instituições até o agricultor pudessem ter acesso”.

Para isso, o grupo utilizou uma plataforma livre, desenvolveu uma técnica de captação de imagens a partir da câmera de um smartphone – que garantisse a leitura correta pelo software – e, com a ajuda de uma pedaço de EVA azul, o trabalho que seria feito em 2 dias, pode ser feito agora em alguns segundos.

Já registrado, o software SAPL sigla para o Sistema de Análise de Plântulas começa a ser disponibilizado para utilização. “Estamos na fase em que as pessoas começam a utilizá-lo, trazendo feedbacks para possíveis melhorias e até o ano que vem uma segunda versão deve ser liberada”, comemora Márcio Dias.

Outros softwares estão sendo desenvolvidos pela equipe. Um deles, analisa as sementes através de raio-x, uma vantagem para sementes que não podem ser destruídas por razões diversas – como custo e raridade. Outro, simula peneiras para soja e milho, técnica que poderá ajudar produtores a medir os tamanhos das sementes também por fotos, uma informação importante para os produtores porque impacta diretamente o preço do produto.

Da universidade para o mercado

“O TADS não era minha primeira opção, acho que é assim com muita gente. Acabei me encontrando lá dentro e deu tudo certo”, lembra o hoje analista de desenvolvimento de sistemas na Rede e-Tec Brasil, Renan Farias, egresso do TADS. Sua primeira experiência profissional foi resultante do conhecimento adquirido no curso e ele avalia positivamente essa experiência e as conquistas proporcionadas por ela, mesmo antes de ter se formado. “Conseguimos desenvolver muita coisa boa dentro do curso, tanto que, na nossa turma, tivemos a oportunidade de sair com um registro de software no nosso nome. Isso foi muito valioso, porque não é uma coisa que você consegue da noite para o dia”, comenta.

Renan Farias é um dos alunos que participaram da elaboração do SAPL e é otimista sobre as contribuições do curso para o desenvolvimento tecnológico local: “O curso contribui de forma grandiosa. As outras turmas têm muitos outros sistemas interessantes e os trabalhos de conclusão estão sendo muito benéficos para as Ciências Agrárias, que carecem de informações. Nada te impede de atuar em outras áreas da Informática, mas é um acréscimo que você tem, uma oportunidade de trabalhar com um campo maior”, comenta.

O Curso Superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas tem duração de seis semestres. Para ingressar, o estudante concorre a uma das 40 vagas disponibilizadas semestralmente, por meio do SISU. Ao formar-se adquire o título de Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

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