Espetáculo “Meu Seridó” estreia dia 30 e vai percorrer diversos bairros de Natal

Sonhado pela atriz Titina Medeiros, com direção de César Ferrario, texto de Filipe Miguez e grande elenco, “Meu Seridó” estreia no dia 30 de novembro no Tecesol, em Neópolis, e depois percorre diversos bairros de Natal com entrada gratuita.

 O sertão que vibra, pulsa e faz viver. O sertão das mulheres esquecidas e das mulheres que sonham. O não lugar, como escreveu Guimarães Rosa, o sertão que é seca e água, e é também o espaço da imensidão. Com fortes questões norteadoras, o espetáculo “Meu Seridó” traz a condição da mulher no sertão, a extinção do indígena em detrimento do boi e a desertificação, na luta diária pela sobrevivência como força bruta do ser.  Sonhado pela atriz Titina Medeiros, a peça tem direção de César Ferrario e texto de Filipe Miguez (autor da novela Cheias de Charme). Como o próprio autor escreveu: “A nossa história acontece em algum lugar entre a realidade, o delírio e a nostalgia”.

Acompanhada pelos atores Nara Kelly, Igor Fortunato, Caio Padilha – assinando também a trilha sonora – e Marcílio Amorim, Titina fez ao lado da equipe uma árdua pesquisa histórica,  conduzidos pela historiadora Leusa Araújo, através de imersões no próprio Seridó. Natural de Acari, Titina sonhou com esse espetáculo por anos, reunindo as suas vivências e coragem para retirar do próprio solo a história de vida de muitos sertanejos.

Para o diretor César Ferrario, a narrativa é constituída por uma linguagem de cunho popular para chegar em todas as pessoas e lugares, e tem uma estrutura que permite a montagem em ruas, fazendas, praças e diferentes paragens. “A nossa narrativa não tem um compromisso histórico. Ela tem seu início através de uma menção ao plano mítico do Seridó, onde o Sol e a Terra disputam o amor de Chuva, uma fábula muito coerente com as questões que atravessam toda a história de qualquer lugar sertanejo e seu imaginário. A partir disso, ela transita pela história do Seridó em seus espelhamentos terrenos, desde a chegada do homem andino até a vinda do vaqueiro e do português. O entrelaçamento dessas raças perpassa as história que vão sendo contadas ao longo do espetáculo”, conta César.

Personagens como José de Azevedo Dantas, Pajé Cuó, o português Rodrigo de Medeiros, a Maria Paraibana e Josefa Menina são as personificações da história que transpassa o imaginário da região.

A força do texto está nos personagens, como a fala de Maria Paraibana que diz: “Tu vai crescer neste meio, no seio de nossa família. Neste arquipélago seco, cada sítio é uma ilha. Neste clima inóspito e esdrúxulo, teremos de nos bastar/Numa casa de taipa sem luxo, nem acesso ao copiar. Tu vai viver só restrita à sala das mulheres/E passar o dia e a vida tomada por mil afazeres/Rendas, bordados, costuras serão tua eterna lida”.

São essas questões, forças e vidas que estão bordadas num figurino, cenografia e caracterização assinados por João Marcelino, parceiro de longa data de Titina com quem trabalhou no grupo “Tambor” ainda na década de 90.  A iluminação é feita por Ronaldo Costa.

Na tentativa de estabelecer um diálogo com a sociedade sobre desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente, “Meu Seridó” ainda conta com a parceria da ONG Sou do Amor, por meio do projeto “Sementes do Amor”. Em cada apresentação, sementes nativas serão distribuídas para o plantio, estimulando a arborização dos espaços públicos.

Foto: Brunno Martins.

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