Ensino Religioso nas escolas: “Uma lição de tolerância”

Ontem, uma notícia movimentou educadores e pais preocupados com a educação integral dos filhos: estava pronta para entrar em julgamento no Supremo Tribunal Federal a ação na qual a Procuradoria Geral da República pede a proibição de ensino confessional nas escolas públicas. Na avaliação daqueles que lidam com os jovens, como é meu caso, a discussão sobre esse delicado tema deve ser bem mais ampla, abrangendo outros aspectos além da fria letra da lei.

É inegável que o ensino das religiões transmite valores não só espirituais, mas também comportamentais, sempre importantes para a evolução da sociedade rumo à prática de princípios civilizatórios, como a ética, a solidariedade, o respeito ao outro, a recusa ao crime e à violência, entre tantos outros. Também é importante destacar que, dada a laicidade do Estado brasileiro, a frequência a essa disciplina deve continuar facultativa. E mais, é fundamental que seu conteúdo não se limite à abordagem de determinada fé, mas se abra para outras crenças, de várias origens como as asiáticas, as africanas, as várias denominações do cristianismo, etc. Em primeiro lugar, não é possível excluir o estudo das religiões de um currículo escolar, dada sua importância na história e na formação das civilizações. Pois a matéria pode estimular uma visão mais aberta entre as novas gerações e valer como um antídoto à intolerância com as diversidades – inclusive de fé – que vem gerando a crescente onda de violência e desrespeito aos mais elementares direitos humanos em vários pontos do planeta.

A melhor solução, portanto, será manter o ensino religioso nas escolas públicas – onde provavelmente se concentra o maior contingente de crianças e adolescentes carentes da transmissão de valores importantes para a cidadania –, definindo um currículo que abranja todas as crenças e, principalmente, se paute pelo respeito às crenças dos alunos e suas famílias. Também deverá ser despido de proselitismo, privilegiando a visão científica e histórica do tema. Até porque a ignorância jamais foi a melhor receita para a formação das pessoas.

Por Luiz Gonzaga Bertelli  – Presidente do Conselho de Administração do CIEE

 

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